segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Acromasia.


Branco.
Tudo que eu vejo é branco.
Olho pras paredes do meu quarto, não vejo cores. Isso me agonia.
Desesperada, busco refúgio olhando para o alto, imaginando, talvez, que um resquício de céu pudesse me salvar da depressão. Mas só vejo o branco.
Fecho os olhos.
Minha mente, outrora tão ativa emanando cores psicodélicas, sucumbiu à acromasia da minha existência. Sem cores, sem sentimentos, sem ânimo - não posso sequer reconhecer meu próprio subconsciente. Com as janelas de minh'alma cerradas, só distinguo duas cores: preto no branco. Ou seria branco no preto? Como mil estrelas cadentes fulgurando na escuridão de um céu.
Me sinto flutuar e gosto de senti-lo. Não pretendo acordar desse sonho. Planar pelos céus me parece uma boa ideia de vida. Será que eu posso viver assim... pra sempre?
Não.
"Injustiça!" - praguejo. De que vale ter a plenitude das galáxias ao simples alcance de um piscar de olhos, se não posso desfrutá-la em todos os momentos de minha existência? Tenho que viver nesse mundo tão branco. Tão... branco! E ao mesmo tempo, tão obscuro.

Tão obscuro...

Um comentário:

Marília disse...

"Ai, não posso ler seu blog; ai, não entendo o que vc escreve"
Só porque vc escreve em prosa e eu em verso não quer dizer que escrevo mais profundo! ¬¬
Te linkei, Ms. Black&White.

Beijos

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Não repares se a forma é apurada
Ou se a métrica foi talvez torcida
Olhe somente a vida dos meus versos
Que a vida do meu verso - é a minha vida.

Vinicius de Moraes