segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Hidroterapia

Quando estou nervosa, eu tomo banho.
Simples assim, como se a água corrente fosse capaz de lavar a minha alma e retirar toda a essência negativa incrustada na minha aura.
Tomo banho, de modo que as lágrimas que brotam dos meus olhos enraivecidos se misturem à água que escorre pelo meu corpo.
Por vezes, me permito prostrar de joelhos no azulejo frio do banheiro, vencida pelos sentimentos que me fizeram chorar.
Praguejo, sim. Mas também peço perdão pelas pragas que roguei em um momento de fúria.
Invento diálogos em que eu argumento comigo mesma acerca dos motivos que me fizeram brigar.. ou que me fizeram magoar. Ou dialogo com a pessoa que começou a maldita discussão, mesmo que isso só ocorra nos meus pensamentos.
No meu debate, eu ganho.
Na minha hidroterapia eu xingo, choro, canto, rio e me lembro de coisas que estavam guardadas em um canto quieto da minha mente.
Remexo recordações tal como reviro mágoas.
Mas sempre, ao fechar do chuveiro, eu exorciso todos os meus demônios. Ou, ao menos, a maioria deles.
E, então, a música entonada pela minha voz cacofônica se torna uma eufonia.



4 comentários:

DESCA 1 disse...

U-A-U!

Quero escrever como vc quando crescer ^^ rs

=*

Nárriman disse...

Oi Rayra!!!
Um banho é realmente um santo remédio em certas horas,numa banheira então...ahhh... sou louca para ter uma banheira menina!!
Bjs!!

Carlos Augusto Costa disse...

Eu tenho uma prática mais banal: atacar a geladeira. (finalmente consegui acessar o blog)

Francis Leech disse...

Eu super preciso microfonar seu banheiro.

-

Não repares se a forma é apurada
Ou se a métrica foi talvez torcida
Olhe somente a vida dos meus versos
Que a vida do meu verso - é a minha vida.

Vinicius de Moraes