Em decúbito dorsal, olhava pras sombras projetadas o teto do seu quarto. Somente as olhava, não havia muito no que pensar.
Virou de lado e, em posição fetal, fechou os olhos.
Cansada de enrolar sob os lençois, levantou-se, lavou o rosto e decidiu sair - essa soava como uma boa coisa a se fazer naquela noite.
Escolheu sua melhor blusa, enegreceu seus olhos com seu kajal, calçou seus tênis All Star e partiu. Mas pra onde ir?
Seguiu sem rumo certo e por uma ou duas vezes quis voltar, por medo do que poderia suceder. Mas alguma coisa a impulsionava, como se no fim daquele percurso indefinido fosse encontrar a felicidade.
Foi andando sozinha, na estrada iluminada somente pela lua cheia que resplendia no céu. Caminhou durante longos minutos até encontrar o que identificou ser seu destino. Lá, ela o viu.
Apesar de nunca tê-lo encontrado antes, ela o reconheceria até mesmo na penumbra em que estavam. Seus olhos tomavam a forma de alguma flor cujo nome não seria capaz de se recordar no momento; seus cabelos negros estavam perfeitamente bagunçados e sua pele luzia como marfim.
Com um passo de cada vez, ela se aproximou da imagem que resplandecia em sua fronte, como se fosse a coisa certa a se fazer. Ele não se moveu, mas as flores de seus olhos a acompanhavam enquanto desenhava seu trajeto.
Estavam tão perto que a essência veranil emanada daquele ser, parecia ser oriunda dos seus próprios pulmões.
Não obstante a forte brisa marítima fizessem o esvoaçar dos longos cabelos dela um obstáculo, os dois lábios estavam cada vez mais próximos e, com o suave choque entre eles, ela despertou.
2 comentários:
Estou na mesma situação psicológica que tu nesse momento.
aaah, gostei!
engraçado, q eu tenho comparado mt miha vida a um sonho ultimamente: nao controlo nada e nada faz sentido! hueahauehauehea
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