As árvores que passavam rapidamente do outro lado da janela inseriam-me em uma espécie de transe. Reclinada na poltrona desconfortável do ônibus, eu ouvia músicas tristes e relembrava velhos acontecimentos. Nostalgia.
Voltar pra casa depois de tanto tempo soava-me ao mesmo tempo bom e ruim. Bom porque eu me livraria de metade das responsabilidades que me assolavam nos últimos tempos. Ruim poque eu me livraria de metade da liberdade que eu adquirira no mesmo período. "Mas vai ser legal" - forcei-me a crer.
Ouvindo a música melancólica que tocava, lembrava-me de todos os seus significados implícitos. Implícitos somente pra mim, confesso. Houve um tempo em que a minha imaginação provocou um verdadeiro estrago em meu coração. Uma única música ativava uma sucessão de fatos imaginários que terminavam por me afundar no poço dos amores platônicos. "I believe in me and you" - era o que eu ouvia sob a suave voz do homem cujo nome remetia a flores. Sim, eu acreditava.
Minha audição ficou debilitada, fruto da diminuição da pressão atmosférica decorrente da subida que a estrada fazia. Meu lar. O calor que eu sentia na Ilha deu lugar a um frio cortante, que ressecava meus lábios. Que droga, por que eu esqeueci todos os meus agasalhos tão longe? Um abraço me cairia bem nesse momento, mas onde conseguir um?
Fechei os olhos e o tempo voou. Quando eu os abri, estava ainda mais perto do meu destino e muito mais longe do que poderia me fazer realmente feliz. Não sonhei e, se o fiz, não seria capaz de me recordar. "Ainda bem" - suspirei. Na minha atual situação, o mais provável sonho atuaria como uma recaída sentimental.
Quando cheguei no meu quarto e vi as antigas colcha e cortina de organza me dei conta que estava no meu antigo lar. Antigo, porque desde que a era Medicina começou eu dei adeus às minhas antigas concepções acerca desse tema. Meu lar agora é o mundo. De Iúna para Vitória, Rio e que as portas somente se abram desde então.
2 comentários:
Nooossa... Que lindu!
Adoreeei!
Vc escreve muito bem! Só esse lance de formspring que é chato... hehe
Ótimas férias, mociinha (:
Beeeeijos =*
Acho que esse duo bom/ruim foi um pensamento que passou na cabeça de muita gente ao voltar pra casa. Senti exatamente o mesmo.
Mas a liberdade espera, guenta um cadin ;D
Postar um comentário