Tudo estava tão quente, tão confortável, mas por algum motivo que desconhecia, faltava alguma coisa. A alta temperatura tinha razões assaz solitárias para ser apreciada.
Começou a chover.
Ela passou a observar as gotas bai
la
ri
nas
no vidro da janela.
Dançariam aí as mesmas gotas insípidas que dançam por aqui?
Desembrulhou-se.
Como um último naco de pernil embrulhado no papel laminado que subitamente adquire vida e exige liberdade.
Dançou na chuva enquanto as gotas dançavam na sua pele.
Fechou os olhos, abriu a boca, provou o gosto da liberdade... salgada.
Liberdade remete a solidão que remete a lágrimas.
Liberdade remete a solidão que remete a lágrimas.
Chorou.
Gotas salgadas e insípidas protagonizando juntas a coreografia da sua saudade.
Dançariam aí as mesmas gotas salgadas que dançam aqui, em minha face?

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