terça-feira, 28 de dezembro de 2010

- e quando chove aqui, estará chovendo aí?

Tudo estava tão quente, tão confortável, mas por algum motivo que desconhecia, faltava alguma coisa. A alta temperatura tinha razões assaz solitárias para ser apreciada.
Começou a chover.
Ela passou a observar as gotas bai
                                                    la
                                                       ri
                                                          nas
                                                               no vidro da janela. 
Dançariam aí as mesmas gotas insípidas que dançam por aqui?
Desembrulhou-se. 
Como um último naco de pernil embrulhado no papel laminado que subitamente adquire vida e exige liberdade. 
Dançou na chuva enquanto as gotas dançavam na sua pele. 
Fechou os olhos, abriu a boca, provou o gosto da liberdade... salgada.
Liberdade remete a solidão que remete a lágrimas.
Chorou.
Gotas salgadas e insípidas protagonizando juntas a coreografia da sua saudade.
Dançariam aí as mesmas gotas salgadas que dançam aqui, em minha face?



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Não repares se a forma é apurada
Ou se a métrica foi talvez torcida
Olhe somente a vida dos meus versos
Que a vida do meu verso - é a minha vida.

Vinicius de Moraes