Ah, se eu soubesse cantar
As horas que eu vivi,
Os amores por que sofri,
As amizades que cultivei.
Acariciaria minha viola,
Os acordes fariam moda
Da minha história, melodiosa,
E toda gente entoaria
A canção da minha vida.
Mas, perdão, não sei tocar
Ou cantar sem desafinos.
E o violão parou no tempo,
Entre a quina das paredes,
Atrás do guarda-roupas,
Sob um manto de poeira.
Tão desprezado, tão esquecido,
Desafinado e reprimido.
Verdade seja dita?
O coitado anda tão carente
Que mais parece meu coração.

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