segunda-feira, 29 de novembro de 2010

- temida companhia;

Enquanto o tempo corria feroz, insensível, veloz,
Mudanças estruturais, memórias de longo prazo.
Fatos há muito passados saltando na sua fronte.
Frente aos livros, obrigações, anotações,
Sua óbvia decepção com o mundo,
A desesperança e o fracasso iminente,
Além de sua eminência evidente.
Diante de rimas imprestáveis,
Voltou para os papéis, sua única companhia
Nessa manhã ensolarada, porém fria,
De uma segunda fadada ao tédio.
Desde a aurora, esta mãe desnaturada
De muitos filhos sozinhos no mundo,
E o seu despertar, o chamado silencioso
Da solidão, a temida companhia
Que é tão possessiva quanto possível.

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Não repares se a forma é apurada
Ou se a métrica foi talvez torcida
Olhe somente a vida dos meus versos
Que a vida do meu verso - é a minha vida.

Vinicius de Moraes