Ela era a personificação do desespero. Após muito pensar em como adjetivar a si própria, era essa a definição mais próxima. DESESPERO.
Dureza no olhar, melancolia...
Ela estava cada vez mais
Séria, sem
Esperanças sobre o
Seu futuro, que outrora havia sido
Promissor. Tentava chorar
E não conseguia (e tantas linhas melodiosas escrevera sobre isso). Seu
Rosto pétreo, sua voz desanimada, e toda aquela gente
Olhando e comentando o seu fracasso iminente.
Tinha medo de esse desespero todo ser um prelúdio da verdade. Queria que fosse mentira, queria ouvir o acalento da gente pelas ruas e pensar que, realmente, ela estava exagerando. Um EXAGERO.
Ela sabia, na realidade, que a verdade estava por vir. Então, disse ela, me vê uma
Xícara do chá mais doce, um chá de
Abacaxi com hortelã. Eu quero sentir o
Gosto do fracasso, mas com o aroma de bebida quente
E doce. Quero sentir esse carinho queimando tudo por dentro, sem me
Ralhar, sem brigar, sem fazer nada. Só queimando tudo e me dizendo que, mesmo que doa,
O que está por vir, virá como aprendizado.
Então, largada na cama como estava, permaneceu. Os dedos em garra dos seus pés que, segundo aquele moço engraçado que apareceu na tevê, explanavam o quanto era séria e introspectiva, se curvaram ainda mais e, em um esforço máximo, puxou o livro para perto dela. Séria e introspectiva estava, e continuou assim, querendo vomitar palavras, chocolate, vomitar a sua vida toda diante de si, será que era possível? Queria vomitar esses sentimentos que doíam por dentro, esse fracasso, essa inveja de toda essa gente que acalenta e que é acalentado, ciúmes de todas essas pessoas mais competentes que ela, todos esses casais felizes, de margarina, que se agarram no seu caminho, esses menininhos fofinhos que chamam as pessoas de tio e tio, me dá um pão de queijo, tio, dois pães de queijo. Queria que todos morressem, menos o menininho, ele não. Queria que todos morressem, queria ela mesma morrer e nunca mais voltar, nunca mais, nunca
nunca
nunc
nun
nu
n
.
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