O dia chegou e a portulaca acorda,
Espreguiça as suas pétalas, majestosa em suas cores.
E cegamente apaixonado, retorna o beija-flor
A mendigar o néctar da colorida planta.
Chega cheio de cortejo, distribui suas carícias,
Mil beijos suaves com seu bico delicado.
"Que bom que voltou", canta o enamorado,
"Podemos agora juntos permanecer".
Uma tarde inteira passou o beija-flor
A desfrutar o olor e a seduzir sua dama,
Esperançoso de quando o pôr-do-sol retornasse
Sua amada, por fim, decidisse ficar.
Mas o sol, exausto, de púrpura se vestiu
E bradou à lua cheia "venha brilhar por mim!".
A portulaca, então, ao ouvir seu despedir,
Fechou suas pétalas sem nem proferir adeus
Ao dedicado pássaro que continuava ali.
Cabisbaixo e carente, ele lamentou ao luar
Que mandou sua luz, fria, consolá-lo.
Insistente, entretanto, como haveria de ser,
Voltaria à aurora, o beija-flor apaixonado,
Para encontrar sua dama, sua eterna namorada,
Tomar a sua dose do mais suave néctar
E embriagar-se nas maravilhas do amor, que é desamor.
(Fisiologia rende)


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