A luz era forte, daquelas incandescentes, quentes, elas costumavam ter um nome, mas quem se importa, bradou em seu inconsciente, a menina. Fato é que a luz amarela doía suas vistas e aquelas letrinhas diminutas doíam tanto quanto e, além do mais, quantas cores existem neste manuscrito herdado? Ela queria um Schistosoma, um só pra ela, mas não um na veia mesentérica inferior, ela queria um na vida. Ela queria um helminto que andasse ao lado dela, assim, juntinho, pela pele, pelos vasos sanguíneos, pelas vias aéreas, altas aventuras pelo intestino delgado, poxa vida, ia ser tão legal. Ela queria um Schistosoma, imaginem só penetrar na mucosa de um Biomphalaria, como deve ser um caramujo por dentro, é o que estava pensando, não faz sentido que eu queira um verme só pra mim, um verme pra chamar de meu, mesmo que eu seja um deles também? Não faz sentido, sussurrou ao pé do ouvido o grilo da consciência. Não faz o menor sentido e, se eu fosse você, fechava os olhos e dormiria o sono dos justos, o sono dos sozinhos na noite, o sono dos que devaneiam.

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