domingo, 12 de setembro de 2010

- a valsa da Colombina;


 Últimos retoques em frente ao espelho.
Um pente aqui, um pó acolá, 
Olhos negros e as maçãs róseas, 
A lágrima cristalina desenhada na pele.
Perdida saiu a valsar sobre as pedras
Que montavam a ladeira da desesperança
Com os trilhos passando em linhas tortuosas,
Ditando o ritmo da dança.
Seguiu, então, a Colombina
A rodopiar ao encontro do amor.
Mas mais valia um Arlequim debochado
Ou o sonho do Pierrot apaixonado?
E o Doutor pomposo que lhe borboleteava o estômago?
E se a história aqui contada 
Não passa de uma ilusão da pobre moça,
A que ninguém nunca dedicou apreço,
E a que nenhum apreço será dado?



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Não repares se a forma é apurada
Ou se a métrica foi talvez torcida
Olhe somente a vida dos meus versos
Que a vida do meu verso - é a minha vida.

Vinicius de Moraes