sábado, 18 de setembro de 2010

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À frente a parede alva, atrás o céu gris e, bem no meio dessa monocromia, ela. Perdida em um emaranhado de lençóis multicoloridos e papeis com letras diminutas, pensando no quão injusta a vida poderia ser, a menina se escondia da mediocridade do mundo - real e dos sonhos.
Sim, sim. Os sonhos. Até mesmo as obras do seu subconsciente insistiam em lembrá-la da insegurança, do perigo e da derrota. Bolo de chá verde? Quem é que come bolo de chá verde? O que você pretende com isso, sua mente estúpida e manipuladora? Elefantes-árvores andantes se jogando em cima dos meus inimigos? Monstros que de tão pesados pulam e esticam a Antártida? Vilãs que adestram esses monstros que voam em pára-quedas. Tipo, nem Freud explica. - mil coisas pipocavam na sua cabeça. Pipocavam.
E, agora, onde ela acharia estímulo para se perder no mundo micoscópico dos parasitos? Na chuva que ousava melodiar o seu dia, nos sonhos que ousavam fantasiar o seu dia, nas pessoas que ousavam.... ou que não ousavam. Não há estímulo. 
Então - gritou - tragam meu edredom e meu travesseiro, porque eu cansei de tentar e não obter sucesso. Me deixe pelo menos fracassar por mérito próprio.
E dormiu.

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Não repares se a forma é apurada
Ou se a métrica foi talvez torcida
Olhe somente a vida dos meus versos
Que a vida do meu verso - é a minha vida.

Vinicius de Moraes