sábado, 11 de setembro de 2010

- esse amor fisiológico;

Quando eu te vejo meu nervo oculomotor reage, meus músculos ciliares contraem, meu cristalino relaxa e meu sistema límbico impera, junto com uma descarga adrenérgica generalizada. Quanto mais você se afasta, maior é a sobrecarga do meu sistema nervoso autônomo para te manter no meu foco visual.
Quando eu te vejo, meu bem, o caos e a epinefrina dominam, meu débito cardíaco alcança proporções imensuráveis, minha musculatura lisa pára, minhas vasculaturas cutânea e gastrointestinal contraem e o escape autorregulatório se faz necessário à minha digestão.
Já não há estímulo nas células de Cajal para a formação de ondas lentas e a minha região antral não sabe se fica espasmódica ou se finge não existir.
No meu corpo caloso há um pandemônio de informações. O cruzamento das fibras nervosas é intenso e, a nível celular, a adrenalina não permite o desacoplamento do ATP.
As borboletas que revoam em meu corpo gástrico parecem ativar a digestão cefálica. Seriam a gastrina e o ácido liberado pelas minhas glândulas oxínticas os responsáveis por essa sensação gélida que ronda meu trato gastrointestinal?
A gastrina tenta ajudar, mas só piora a minha situação. O muco que outrora protegia minha mucosa estomacal é gradualmente destruído e eu sou exposta a úlceras pépticas, que doem a cada vez que eu te avisto.
E meu sistema nervoso autônomo está agindo, você percebe o quão descontrolada estou e se aproxima. O seu toque estimula meus neurônios sensitivos, seu abraço me causa descargas elétricas mil e quando finalmente nos beijamos, meu hipotálamo percebe que é hora de relaxar. Pelo sistema porta hipofisário ele ordena a liberação de endorfina à minha hipófise.
E o hormônio impera, assim como a sensação de prazer que ele proporciona. Já não tenho medo de te perder.
E em um feedback positivo, um círculo vicioso em que eu te quero, te tenho, e cada vez mais te quero, eu sustento esse amor fisiológico. 

(Escrito em co-autoria com a @lilaisicke, dona desse blog)
E perdoem-nos pelos eventuais erros fisiológicos, é tudo culpa do nosso eu-lírico.
E, ó, fisiologia é só amor, gente!

2 comentários:

Cecília Isicke disse...

Realmente, fisiologia é SÓ AMOR!
beijo, SUA LINDA
=*

DESCA 1 disse...

SHAUSHUAHS
Adoreeeeei !
Beijo =*

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Não repares se a forma é apurada
Ou se a métrica foi talvez torcida
Olhe somente a vida dos meus versos
Que a vida do meu verso - é a minha vida.

Vinicius de Moraes