sexta-feira, 16 de julho de 2010

- carta à melhor amiga;

Eu queria ser como você - a amiga aflita lhe confessou. Saber amar, escrever textos apaixonados diretos o bastante pra que você seja notada e indiretos na medida certa, pra não assustar.
Mas aqui eu disserto acerca de algo que eu aprendi, prezada amiga, a duras penas, mas aprendi. 
No alto dos meus dezenove outonos eu notei que a discrição não ganha corações, não faz ninguém se apaixonar por você, não te faz menos covarde. Escrever textos apaixonados, minha cara, apenas reflete uma mente conturbada e a escassez de pessoas em quem confiar... pessoas que possam me ajudar a superar traumas infinitos relativos a amar e ao amor. 
Talvez a paixão musa dos meus escritos nem seja tão grande quanto a que eu demonstro quando escrevo. Mas a minha alma é feita de poesia, e, como poeta que sou, utilizo de metáforas que transformam uma paixão juvenil em um tão grande amor. Uma história digna de romances datados de longínquas eras, em que sentimentos deveriam ser resguardados.
Mas nós não vivemos mais nesses tempos tão antigos e, por muito lhe gostar, eu aconselho: lute pelas suas paixões livremente, ferozmente, arduamente e, o mais importante, não esconda os seus sentimentos nas entrelinhas de um texto romântico.
Não guarde o desabafo neste nó na sua garganta. 
Não faça como eu.
Lute pelo o que você deseja sem máscaras. Seja explícita no que você quer.
Assim, certamente alcançará melhores resultados que essa sua amiga covarde.

Atenciosamente.

Um comentário:

Lorena εïз disse...

Eu sinceramente continuo querendo ser igual a você quando eu crescer!

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Não repares se a forma é apurada
Ou se a métrica foi talvez torcida
Olhe somente a vida dos meus versos
Que a vida do meu verso - é a minha vida.

Vinicius de Moraes