No silêncio absoluto, uma sequência rítmica de inspirações e expirações. Ela possuía uma necessidade intensa de sentir o ar penetrando por suas vias aéreas e irrigando cada milímetro cúbico do seu escafandro, o seu corpo.
Já havia algumas horas completas desde que essa sensação estranha iniciara. Por mais que se esforçasse, respirar se tornava mais difícil a cada nova incursão, a cada nova tragada de ar.
Motivos aparentemente inexistentes. Nada que fugisse do usual: um coração em processo de cicatrização, uma mente completamente atordoada, olhos pesados, cansados, pálpebras que, sem força, insistiam em cair, fechando os limites entre o mundo real e o seu imaginário. O mundo fantástico que existia por detrás das cortinas negras de seus olhos se tornava, então, acessível a ela própria.
Não que o seu refúgio fosse seguro. Imagens inesperadas surgiam como flashes em meio ao breu. Rostos que há muito tempo a menina não via, cenas que, de tão utópicas, nem mesmo chegariam a ocorrer, odores conhecidos que invadiam suas narinas de repente. Uma recaída que ela não queria ter. Saudades que ela não queria sentir.
O que seria melhor, o mundo exterior ou o interior? Qual deles seria o mais seguro? Qual lhe traria menos dor, menos sofrimento... em qual deles ela deveria acreditar?
Eram tantas perguntas sem resposta...
Não estava disposta a pensar, de modo que resolveu experimentar um por vez, começando pelo de dentro.
Assim, fechou os olhos... e o sono chegou.
Se teria sonhos?
Bom, essa é só mais uma questão indefinida.
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