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♪ E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vende outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso ♪
Despeço-me, Rio.
Nas pedras de Santa Teresa, eu deixo as lágrimas.
No teto branco do meu quarto, eu deixo a solidão.
Nos degraus do IB, eu deixo o meu cansaço.
Nas paredes róseas do Gaffreé, eu deixo a expectativa dos períodos que virão.
Nas linhas de um caderno perdido, eu deixo os amores por que eu sofri.
Às montanhas do meu lar eu levo apenas alegria.
Alguns abraços apertados, gotas salgadas de felicidade.
As novas dos mais recentes capítulos da saga da minha vida.
A menina perdida em terras longínquas, sem um ombro conhecido pra chorar.
Superando os obstáculos e derrotando os vilões.
Mas não chore, Rio, eu voltarei.
Trarei as lembranças do frio que eu senti, beijos e abraços que eu recebi.
Das amizades que eu reencontrei, da gargalhada doce pela manhã...
Aquele café, que eu só encontro no Caparaó.
As lembranças do tempero perfeito dos meus avós, o cheiro de Breu Branco da minha mãe, o cheiro de amaciante no edredom.
As cócegas da barba do meu pai.
E, então, Rio, eu estarei pronta.
Com garra e perseverança eu enfrentarei mais um episódio da saga.
E, como toda mocinha que se preze, não obstante as pedras no meu caminho, vencerei.

3 comentários:
Aii deu uma vontade de chorar lendo isso que você escreveu =`(
Talentoso, Ray...e absolutamente aplicável.
:*
Eu já tinha esquecido do teu talento para a escrita.
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