terça-feira, 13 de julho de 2010

- não gosto;

Não gosto de que me ironizem.
Não gosto de que discordem do que eu digo sobre a minha vida como se eu fosse uma mera telespectadora. Sou eu quem a vivo, sou a autora, a diretora, a produtora e, principalmente, sou a protagonista. 
Não gosto de que ridicularizem os meus sentimentos, como se eles fossem atos de uma comédia. 
São meus sentimentos, não são piadas. Sou eu quem os sinto, eu os dou a devida proporção, eu tenho o direito de reproduzi-lo da maneira que mais me convir. Me desculpe se, aos seus olhos, minhas questões não merecem respeito algum, a culpa não é sua se seu umbigo ocupa todo o mundo ao seu redor.
Não gosto que me imponham ideias, como se eu não fosse capaz de desenvolver as minhas.
Tenho as minhas crenças, exijo respeito e confiança no meu discernimento entre o que é falso e verdadeiro, concreto ou abstrato, bonito ou feio. Eu quero a permissão pra ser humana, pra pensar como um humano, pra exercer o meu direito de livre arbítrio, minha carta branca pras escolhas da vida.
Não gosto de gostar de quem não gosta de mim.
Porém quanto a isso nada tenho a acrescentar, a argumentar, no coração não se manda, nas pessoas muito menos. Voltando ao assunto do livre arbítrio, porque alguém não poderia usar essa dádiva pra optar por não gostar de mim, certo? Seria (ou é) digno, não fosse eu a autora desse texto e os meus sentimentos o foco do mesmo. E nesse texto, não é digno. Eu quero que me queiram, mesmo sendo impossível. Ou possível, se não houvesse a timidez.
Há muitas coisas de que eu não gosto, é verdade.
Mas eu gosto de escrever. 
E é isso o que eu faço.

3 comentários:

Cecília Isicke disse...

Ah, Ray... eu te entendo. Mas sabe, como disse Marcel Proust, coisas que a gente gosta agora, depois a gente deixa de gostar e nao entende pq q gostou um dia. Viva o momento, mas mantenha a mente aberta para mudanças ;D

Carlitos disse...

Que tal escrever sobre as coisas que você gosta, para que as pessoas que gostam de você façam-nas por ti?

Marília disse...

Dentre as muitas coisas que gosto, ler o que vc escreve é uma delas. (e eu também gosto de você que é minha amiga-ídola HAHAH)
Lindo o texto, Ray. Entendo perfeitamente."Não gosto de que me ironizem.(...)Não gosto de que ridicularizem os meus sentimentos, como se eles fossem atos de uma comédia."

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Não repares se a forma é apurada
Ou se a métrica foi talvez torcida
Olhe somente a vida dos meus versos
Que a vida do meu verso - é a minha vida.

Vinicius de Moraes