quinta-feira, 5 de abril de 2012

- que lhe perdoem, é apenas mais uma Amélie;

E lá vai ela, menina completamente avulsa dentre tantos outros aleatórios, dançando a passos distraídos, lentos, olhos pregados no céu. 
Como em cena de filme, lá vai ela.
Tons de verde e vermelho como uma outra Amélie, protagonista de um outro filme, seu filme, sua estória e sua direção. A trilha sonora ia em sua cabeça.
Olhos na imensidão celeste e pensava em todos os outros transeuntes com olhos no chão, cinza chumbo chão, sujo e fedido asfalto. Como conseguiam? 
Olhe esse azul, olhe esse quadro efêmero, pintado por tudo que julgavam divino, olhe enquanto ele está exposto na galeria da vida. Cedo será noite, o quadro esvanecerá e todos o perderão! Todos os perdidos, perdidos no chumbo do chão. 
Que lhe perdoem a distração, também ela é perdida. Perdida na imensidão, nas cores do arco-íris, nas linhas que as nuvens traçam e nas maritacas que cantam o amor.
O amor? Que lhe perdoem o amor.
Por ser menos apaixonante que apaixonada, delusionais fantasias de quem toma mais cautela com o coração dos outros que de seu próprio. 
Que lhe perdoem todas as fuinhas que vê nas mais diversas faces, todos fuinhas, suas fuinhas, cativas no cercadinho do seu límbico. Burro límbico.
Que lhe perdoem o límbico,
Que lhe perdoem o desafino,
As linhas desritmadas,
E os escritos em desalinho. 
É só o reflexo de outra mente conturbada, de mais uma Amélie, avulsa dentre tantos aleatórios, dançando em rubis, esmeraldas,
E nas safiras, que pairam no céu. 





Um comentário:

Marília disse...

"Que lhe perdoem o límbico,
Que lhe perdoem o desafino,
As linhas desritmadas,
E os escritos em desalinho."

Perdoados pela fotografia.

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Não repares se a forma é apurada
Ou se a métrica foi talvez torcida
Olhe somente a vida dos meus versos
Que a vida do meu verso - é a minha vida.

Vinicius de Moraes