O amor é como aquela meia-calça tamanho médio, que, de uma forma ou outra, cabe em todo mundo. Não importa se falta pano ou falta corpo, amor é tamanho único, amor é universal.
Porém se perguntassem a mim, eu diria que o amor, embora seja um só, não atende só pelo nome.
Amor atende pelo cheiro de hortelã na casa de quem molda pequenos pedaços de carne crua com triguilho; pela tintura louro mel nos cabelos sedosos, arrumados com graça e desalinho; pelas mãos macias, ágeis, que escrevem uma história libanesa no fundo do tacho de canjica com carne de porco; pelo som de moedas juntas, tilintando em pouco valor monetário, enorme valor sentimental.
Amor atende pelo "parabéns a você" em primeiro de abril, o mais doce, melódico e esperado, banhado em lágrimas de alegria e satisfação; por uma generosidade que eu nunca vi igual e um incrível gosto em contar histórias, próprias e alheias; pela gargalhada de quem ainda é criança na melhor idade; pela melhor macarronada e melhor prato cheio de feijão recém-cozido temperado com sal.
Amor tem perfume, tem sim. É o cheiro que eu sinto ao apertar o interfone do apartamento 101, subir dois lances de escada, abrir a porta e me aninhar no abraço confortável de quem viveu o quádruplo do vivido por mim. É aquilo que me invade à medida que eu piso no chão de taco, empurro as altas portas de madeira tingidas de cinza e entro no quartinho escuro e aconchegante. Cheiro de vô, cheiro de vó. Cheiro do amor.
E que me perdoem Camões, Platão e tantos outros gênios que o tentaram definir, mas amor, pra mim, tem nome, sobrenome e endereço.
Em meio à Serra do Caparaó, Nahim Alcure e Ivana Leal, meus avós.
Eu amo vocês.
Um comentário:
Rah, que linda expressão de amor!!! Me emocionei muito com seu texto! Estou "buscando palavras" para escrever aqui, mas nada do que eu disser vai alcançar "as estrelas", lugar para onde me mandou, viu?
Bjs!
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