Antes de tudo, um breve prefácio.
Quando minha mãe me pediu pra escrever um texto sobre meus avós, pensei que não fosse capaz de expressar o amor que eu sinto por eles - expressar amor, no geral - de maneira "forçada". Não demorou muito - menos de um dia - para eu perceber que, quando o amor é verdadeiro, ele flui naturalmente. Não tem nada forçado em escrever um texto "sob encomenda" quando se ele se trata de pessoas tão queridas, tão, tão... tão tudo na minha vida. Basta pensar neles e o amor flui, carinho flui, as lembranças vêm num turbilhão de emoção e, pronto, as linhas são quase que psicografadas.
Sei que o que escrevi sobre meus avós teve uma repercussão enorme na minha família. Sei que fiz alguns chorarem (eu também chorei escrevendo, acontece). E sei que minha mãe me pediria um texto, se não fosse uma coisa "forçada" a se fazer.
Bom, o texto a seguir é pra ela, minha heroína, minha guerreira e meu exemplo. Ele não foi escrito sob encomenda. Na verdade, ele foi escrito há quase um ano, depois de um desses telefonemas que a gente faz uma pra outra e terminamos as duas chorando muito, não por brigas ou discussões (a gente já passou dessa fase), mas chorando por amar demais. Amar demais e estar assim, uma fisicamente longe da outra, embora emocionalmente coladinha.
Enfim, mãe, você também faz parte da minha definição de amor, viu? Esse é com amor, de mim pra você.
"If there's anything that you want.
If there's anything I can do.
Just call on me, and I'll send it along
With love, from me to you."
(From me to you - The Beatles)
Perdoe-me, minha mãe, se eu me desliguei do cortão umbilical - físico e psicológico - tão cedo. Deve ter doído em você tanto quanto doeu em mim ter que estreiar minhas plumas, talvez um pouco antes da hora, para alçar voo rumo ao meu futuro. No meu trajeto eu caí algumas vezes, alguns movimentos descompassados de minhas asas, inexperientes, fizeram-me desequilibrar. Mas você me educou para o mundo, mãe, graças a você eu me reergui de todas as quedas. Você me deu forças pra continuar meu trajeto a cada vez que, em um reencontro ou conversa casual, lágrimas rolavam incessantemente pelos meus olhos, você me ajudou a seguir em frente. Obrigada, mãe, pelos valores que você me deu, pela ética que eu trouxe de berço, do seu berço, pela educação, pelas oportunidades, por ser assim, do jeitinho que você é. Hoje, aqui do longe onde me escondo, eu vejo como essas coisas simples que eu tenho tatuadas no meu caráter graças a você faltam nos caracteres da gente ao meu redor. Não mudo nada em você, mãe. Nada. Nem do passado, nem do presente, e, no futuro, quero que você continue você. Ou se mudar também, vou te amar de qualquer jeito, você é minha mãe! Eu te amo! E, por fim, perdoe-me, mãe. Pelos erros que eu cometi, pelas vezes que eu te fiz chorar, pelas palavras que por ventura eu lhe proferi e que lhe machucaram. Se há uma verdade dentre tudo o que eu já te disse, é que eu te amo. E disso eu peço que nunca se esqueça.
Um comentário:
Digo que gostei, seco, assim, porque homem não chora.
Me fez lembrar da minha mãe, da forma com que voei cedo de casa e que embora longe é a base do que sou hoje. Para o bem ou para o mal.
Agora com licença, secarei as gotículas que condensaram em frente as pupilas.
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