E eu ouço as músicas românticas mais lindas, fecho os olhos e imagino o momento em que ela foi escrita. Eu tenho feito muito disso ultimamente.
Os versos mais melífluos, entremeados pelos solos de guitarra mais melodiosos, daquele tipo de som que se você pudesse espremer, sairia baba de moça de todos os buraquinhos de quem o escreveu. E o tipo de som que, se você foi a inspiração pra sua composição, ao ouvi-lo, sentirá cada milímetro cúbico do seu sangue virar glacê. De tão doce. De tanto amor.
Eu não tenho disso. Nunca tive.
E quando eu ouço essas notas intercaladas formando acordes que, intercalados, dão voz ao mais íntimo de uma pessoa, bom, eu choro. Eu choro pelo meu infortúnio. Infortúnios, assim no plural, se eu quiser ser realista. Todos intercalados na minha vida, formando acordes desesperançosos, dando voz (ou tirando a voz) do que poderia ser uma música dessas. Uma canção de amor.
É possível que não existam muitas pessoas que dão valor ou que anseiam por uma demonstração de afeto desse porte. Palavras. Acordes. Que esses detalhes se fodam, há quem pense.
Mas pra alguém que tem as letras como a forma genuína de expressar seus sentimentos, pra alguém que já escreveu tantas declarações ocultas em figuras de linguagem, dói em cada terminação nervosa saber que nunca foi musa.
Ninguém nunca me deu o terço de valor que eu designo aos mais aleatórios seres por aí.
Ainda não consegui descobrir nenhum dos meus sete erros. Talvez, é verdade, existam mais que sete. Ou talvez simplesmente não haja erros além da maior errada da história toda.
Acho que eu nunca saberei, no fim das contas.
Um comentário:
Piora se eu te disser que no alto dos 50 ainda sonho com a minha escalação para o time das "musas"? rsss
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