A grande questão é que eu não consigo te digerir, tampouco te vomitar.
Você é aquela carne meio crua, meio cozida, inteira, sucumbindo ao azedume de cloro no meu corpo gástrico, sem nunca esfacelar. Comida há tantos dias, alimentando-me de pouco a pouco, uma refeição agora e um gostinho eterno de te quero mais.
Você é a azia incessante.
É a fusão do fogo com farfalhar de asas, ambos epigástricos, borboletas em chamas, morrendo em uma poça de ácido.
Uma por uma. Todas por uma. Eu em todas elas. Você em mim.
A grande questão é que eu não tenho as enzimas gástricas necessárias pra quebrar suas pontes.
Paixonases. Iludases.
Não as tenho.
E não há cárdia ou piloro que me deixem te deixar. Você é grande demais, presente demais, não sei nem como você chegou aqui, pra início desta prosa.
Não há meios de te eliminar, não há meios de te absorver, não há magnésio no mundo que contenha a queimação que é conviver com tamanha indigestão. Não há anti-helmíntico no mundo que contenha o incômodo de conviver com tamanho parasita.
Mas, se não passivamente, lamento dar-lhe tão inoportuna notícia: anestésicos existem. Bisturis e suturas também.
E, ativamente, você há de ser eliminado.
E, ativamente, você há de ser eliminado.
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