Pra quem já leu/viu "Alice no País das Maravilhas", é fácil entender qual é a ideia do Coelho Branco. Como a maioria das pessoas, eu tenho a minha obsessão; eu gosto da perseguição aos coelhos brancos, das coisas bizarras que se sucedem no caminho... dos encontros e desencontros que por ventura acontecerão. A graça de ter um objetivo tão inalcançável como um coelho atrasado, com relógio e paletó é justamente você i-lo conquistando aos poucos... desvendando um a um os mistérios da sua obsessão; ir perguntando aos passantes: "ei, você viu um coelho branco passar por aqui?" e recolher as pistas dadas para montar o seu puzzle.
É dessa maneira que eu levo os meus relacionamentos. Pode ser uma forma de evasão, de me livrar da responsabilidade de ter uma paixão a cada dez seegundos (isso quando não é mais de uma ao mesmo tempo), mas novamente eu culpo o meu signo pelo meu comportamento. Arianos adoram o processo da conquista, do passo-a-passo, quando você tem uma motivação para querer estar com a pessoa o tempo todo. Quando a conquista se faz e você já tem tudo o que quer ao alcance de suas mãos e o seu puzzle está montado, o seu coelho perde totalmente o encanto. Seguindo a metáfora, seria como se em vez de o coelho falar "é tarde, é tarde! Ai, ai meu Deus, é tarde!" a cada tentativa de aproximação, ele simplesmente dissesse "claro, Alice! Eu estou um pouco atrasado mas dá tempo de bater um papo com você!". Os dois perderiam alguns segundos falando banalidades, se despediriam com um aceno cordial, dariam as costas um ao outro e seguiriam caminhos totalmente diferentes. Talvez nunca mais se encontrassem.
Já com a atitude evasiva do coelho, a curiosidade do perseguidor é aguçada a tal ponto que alcançá-lo passa a ser a meta da sua existência. Obsessão, em outras palavras.
E o que não são os apaixonados senão um bando de obcecados?
Por essas e outras acredito que eu nunca vou em apegar o suficiente a alguém a ponto de me casar ou até mesmo namorar alguém por mais de quatro dias. Não é que eu não queira constituir uma família (ultimamente eu tenho pensado muito em matrimônios e bebês, por mais estranho que isso possa parecer), mas acho meio surreal encontrar um homem ao mesmo tempo presente na sua vida e que seja inalcançável. Um relacionamento que, se convertido em puzzle, seria como um quebra-cabeças de infinitas peças. Um quebra-cabeças que por mais que você procure, não vai encontrar em nenhum lugar além do País das Maravilhas.
Um comentário:
Tem muitos homens que são um constante quebra-cabeças... mas normalmente eles são chamados de "malandro", "galinha" e outros adjetivos do tipo.
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