É como se minha vida girasse em torno de uma estaca presa em meu passado; e de mim, presa a esta estaca por uma mola. Por mais que eu tente seguir adiante, o passado ressurge em minha fronte me convidando a voltar. E eu - fraca, acomodada, infeliz - sempre volto. Assim gira a roda, rolam os ponteiros do relógio... e eu sempre empacada nos momentos nostálgicos, nos dias distantes, naquela vida feliz que eu, outrora, tive o luxo de viver. Mas e o presente, como fica? Como recuperar os minutos que eu desperdiço diariamente?
Entretanto, há dias em que eu estou estranhamente ligada ao agora.
Me enfureço com as raivas do agora, choro com as tristezas do agora e, cedo ou tarde, rio com as alegrias do agora. E é justo aí, quando eu começo a sorrir pro presente, que o pretérito - imperfeito em sua possessividade e em seus ciúmes descabidos - me chama de volta. Com aquela voz paradoxalmente suave e firme - digna dos psicopatas -, me induz a comparar a felicidade do agora àquela dos anos passados. Eu até tento resistir, ouvir o que a voz cacofônica do presente quer me dizer, mas, fraca como sempre, sigo o caminho que me leva à melodia doce dos tempos já findos. Como uma serpente enfeitiçada pela música do encantador, danço e deixo-me levar.
Quando o torpor do feitiço se vai, e meus olhos se abrem para a vida, me sinto acomodada, apesar da inquietude de sentir o tempo se esvainecer futuro adiante.
Esta é a pior hora da nostalgia. A minha vontade é de gritar pelo tempo e sair correndo ao encontro da minha história, que está correndo sem mim. Mas eu sinto as minhas pernas imóveis pelo comodismo, a inércia possuindo todo meu corpo... pra que sair correndo, afinal? A minha vida nem ao menos parece sentir minha falta! Minha cabeça continua a mil, pensando em maneiras de me levantar daquele buraco - desconsiderando a imobilidade dos meus membros inferiores. A contradição acaba me afundando ainda mais.
Eis que surge algo - ou alguém - que me estimula o bastante pra me erguer do meu esconderijo. Um amigo que precisa de mim, um novo amor da vida ou uma lista de classificação do vestibular. E não é que essa coisa ínfima me faz reabrir os olhos e caminhar adiante?!
Me faz sofrer por horas a fio, mas me dá alegrias pequeninhas, esporádicas... suficientes pra me abastecer por mais horas e horas de sofrimento sem fim.
E não é assim, afinal, que se vive?
5 comentários:
Acho que isso é a famosa sindrome de peter pan... "vamos ficar aqui que ta agradavel"...
mudar doi, demora, mas é sempre bom :D
e eu tb penso mt sobre isso que voce escreveu... com o tempo a gente se liberta disso,nem que seja porque as provas serao dificeis e teremos que nos matar de estudar XD
beijo!
Isso é o que acontece quando não temos o que fazer. Engraçado como o ócio nos envenena assim, lenta e dolorosamente.
E o pior é que quando a gente trabalha pensa que nada vai nos trazer mais felicidade que uma boa folga... grande mentira (pelo menos pra gente, que é loser)! Se fosse pelo menos numa ilha paradisíaca e cheio da grana, até vá lá...
Claro, claro ... viver de diferentes maneiras, requer diferentes sacrificios.
Parece que você busca tornar tão complicadas as coisas mais simples da vida, indaga a si própria sobre os sentimentos mais naturais do ser humano, transfigura as incertezas em medo em descrença, e isso é péssimo, para você e para quem está ao seu redor. Você só saberá quem você é realmente quando se der a chance de viver o novo, e fazer das tristezas do passado ferramentas para o seu próprio desenvolvimento como pessoa, o que a tornará uma pessoa mais sólida, pronta para superar os inúmeros obstáculos que ainda estão por aparecer na sua vida, e quando, mais tarde, você olhar para trás, poderá dizer que as lágrimas que derramou e os sorrisos que brotaram na sua face foram essenciais para que a sua vida tenha realmente valido a pena. Desmistifique as dores, ligue o FODA-SE e seja feliz... eu sei que é mais difícil quando só dependemos de nós mesmos para realizar algo, sábio aquele que faz de sí próprio um aliado, mas é a vida e o tempo que ensinam como se fazer isso da melhor forma possível.... e durante esse processo de aprendizado errar é normal, e são esses erros que responsáveis pelas felicidades passageiras da vida, e que de certa forma que contribuem para transformar essa felicidade de passageira em duradoura, não permanente, porque felicidade, como qualquer sentimento, sensação, não foi feito para ser vivido de forma plena...
Nossa, quantas vezes eu me sinto assim...parece que minha vida tá indo e eu aqui, assistindo de camarote.Pior, podendo fazer algo pra mudar o rumo disso tudo, mas não faço, fico no comodismo.Tava pensando nisso esses dias...férias, 6 meses em casa.E oq eu fiz? Fiquei em casa, na tranquilidade do meu descanso do vestibular, que foi bem puxado pra mim, não só nos estudos, mas muito na parte emocional, mecheu muito comigo.Parece estranho, mas me descobri muito no ano de vestibular, mudei muito também.E antes de passar eu pensava: quando eu passar eu vou sair mtoo, vou me divertir.E o que eu faço? Minhas amigas me chamam pra sair e eu fico em casa, sei lá , gosto.Não sei mesmo.Acho que tô acumulando toda essa "energia" pra faculdade, pros estudos e para as festas.Se é que dessa vez vai ser diferente.Se é que eu vou sair, mesmo que seja pra comemorar o zero em bioquímica...
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