Descobrira ser uma romântica irremediável.
Devaneios de amor esvaindo pelos poros.
Eritrócitos cordiformes passeando pelos seus vasos.
Ela esperava por um leão.
Desde a mais tenra idade, pés descalços, bonecas loiras macérrimas valsando em longos vestidos de tule, encontrando o amado, bronzeado, gel no cabelo partido de lado, casamentos, lua de mel, filhos, passeios pelo clube e pelo parque.
Apenas as bonecas, nunca ela.
Cresceu.
Encontrou algumas girafas, umas bem parecidas com leões - quase foi enganada! - mas nenhum felídeo propriamente dito.
Não queria girafas.
Queria leão.
Esperava pelo rei, uma grande juba e pelos dourados, um rugido feroz e GROARR, cairia apaixonada aos seus pés, casamentos, lua de mel, filhos, passeios pelo parque e pelo clube.
Mas não era boneca.
Não era loira.
Não era macérrima.
E aquele telefonema, uma voz feminina acusadora, lágrimas caindo do lado de cá, traição, abraços e lágrimas duplicadas sobre a cama de casal, colcha grená com franjas cáqui e, por que, por que me traiu, eu te amo tanto.
Um leão.
Você me quebrou.
Agora eu só vejo girafas.

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