sábado, 22 de outubro de 2011

- a dor do talvez;

Ouvira uma vez palavras que mudaram completamente seu jeito de pensar.
"A dor do sim, essa passa," - começava o dito - "assim como a do não há de passar. Mas a do talvez, talvez."
Não seria esse o limbo dos sentimentos? 
Não é o céu, não é o inferno. 
É pior.
É a indecisão, o desconhecimento.
A ignorância.
Pois era exatamente o local onde julgava estar nesse momento. 
Havia sido mau-acostumada a deter o saber e ter certeza de tudo, em várias esferas de sua vida. Mas seria esse realmente um mau costume? Gostar das coisas bem esclarecidas é ótimo, ou não? 
Tudo que é bem delimitado inspira confiança. Segurança. 
Não se sentia segura estando nessa espécie de purgatório emocional (se é que era possível pra alguém como ela conseguir ser ainda mais insegura). 
Sentia-se como sentada, no breu do desconhecimento, sem lentes de correção. Tudo o que via eram vultos, tudo que ouvia eram ecos, todas as imagens eram irreais e irracionais. Apenas uma grande nebulosa, algumas luzes piscando esporadicamente, alguma coisa pressionando seus arcos costais, centripetamente. Respirar exigia uma força imensurável. Lágrimas estavam na iminência de sair, mas a força centrípeta também agia sobre elas. Era o verdadeiro limbo. Não era possível fazer algo, tampouco era possível deixar de fazê-lo. Não era possível sair do lugar, não era agradável estar nele. Angústia, esse é o melhor termo que ela usaria pra descrever a sua situação.
Angústia.
É a dor do talvez, que apenas talvez passará.


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Não repares se a forma é apurada
Ou se a métrica foi talvez torcida
Olhe somente a vida dos meus versos
Que a vida do meu verso - é a minha vida.

Vinicius de Moraes