Às vezes apenas sentava e esperava que alguma coisa acontecesse. Não era o ideal, sabia bem.
Muitos a chamariam de passiva e acomodada (não que isso fosse importante no fim das contas), mas era a sua concepção de mundo perfeito. Ou seria, se algo de fato ocorresse pra tirá-la da inércia.
Talvez alguma mudança extrema, uma mensagem inesperada, o príncipe encantado - aquele que não existe - batendo na porta de casa com um buquê de palavras melífluas, embrulhadas em celofane, um cartão trabalhado na paixão incontrolável que sentia por ela.
Devaneios de desesperança, diria.
O mundo perfeito... nenhuma obrigação, nenhuma revira-volta sentimental, nenhum problema urgente que precise ser resolvido pra ontem.
Por que era tudo tão mais pacífico quando estava apenas jogada sobre um emaranhado de lençóis, encarando ora parede vazia ora as muitas fotos pregadas descoordenadamente na geladeira? Era um lugar de refúgio mental, algo do tipo.
Música ao fundo, uma roupa confortável (roupa alguma, na verdade), um travesseiro que a recebia como um abraço pelas costas. Incursões respiratórias ritmadas, tranquilas... tudo tão perfeito.
Óbvio que não duraria.
No fundo da mochila (aquela jogada de qualquer maneira aos seus pés) havia uma pilha de informações a serem assimiladas. Com a urgência que a sua rotina naturalmente lhe exigia dia após dia. Com a má vontade que já lhe era velha conhecida. Com os daydreams sendo esmagados pela realidade avassaladora.
E ela que não sucumba à realidade, pra ver.
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