Eu não sou de escrever muito em primeira pessoa, mesmo os meus textos sendo completamente subjetivos. Acontece que devido aos últimos acontecimentos da minha vida, eu resolvi que era hora de honrar todas as muitas horas de aula de redação que eu tive nessa vida e escrever uma crônica, pra variar. E como toda boa crônica que se preze, é necessário um tema e uma correlação com a sua vida pessoal. Bom, vamos lá.
Muita gente que perambula ao meu redor, mesmo não fazendo parte do meu círculo social, resolveu me atribuir a responsabilidade por criar um "climão" desagradável no ambiente. Beleza, isso eu assumo. Mas daí que resolveram também me culpar pela incapacidade intelectual de outros. Ora, nesse caso eu peço desculpas, mas esse filho não é meu.
Se tem uma coisa que eu aprendi nesses anos pós êxodo rural é que as palavras têm poder. Então se você se chama de tadinho ou deixa as pessoas te chamarem disso, você certamente o é. Ou será. Deixar que pessoas responsabilizem terceiros por suas falhas, só te dá uma desculpa plausível pelo fracasso que eventualmente pertencerá ao seu futuro.
No meu primeiro ano de vestibular tinha muito disso, as pessoas falavam "tadinha, ela vive numa situação tão difícil" e eu acreditava. Eu repetia "tadinha de mim". Eu aceitava que eu era uma coitada, e olha no que deu? Eu tive uma ótima desculpa pro meu fracasso. No segundo ano de vestibular eu dei uma cortada nessa vibe de "tadinha". Tadinha my ass, sabe? Tô aqui, tenho capacidade intelectual pra passar numa federal, tô num cursinho ótimo, tenho bolsa quase todo mês e não quero ter desculpas pra bombar mais uma vez. Passei em duas federais pra medicina.
Vocês conseguem entender a moral por trás dessa história?
Culpar a minha pessoa por criar um "climão" em um lugar e culpar o "climão" pela incapacidade de alguém exercer a sua profissão - estudante - não é nada além de uma boa desculpa por um fracasso iminente. Já diziam as velhas e boas línguas que conselho não se dá, só se comercializa. Nesse caso eu vendo esse conselho pros "tadinhos" que morgam ao meu redor: que cortem essa vibe ou se preparem por mais um ano gongado.
Sem mais.
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