Poderia chorar, gritar, maldizer o mundo e as pessoas, palavras proferidas e guardadas, poderia praguejar os deuses por não lhe deixarem ser plenamente feliz por alguns poucos meses. Poderia dizer palavras ríspidas às mais ríspidas criaturas que lhe foram depositadas no caminho, como barrancos desmoronados em meio a uma avenida, em horário de rush, comprometendo todo o andamento de uma via. Como espinhos graciosamente pingados em meio a todo um caule da rosa mais linda, de modo que o ato de colhê-la e presentear alguém especial fosse subitamente estancado. Poderia matar. Oh, sim, até tal drástica ideia passou por sua cabeça.
"Mas quem sou eu?" - repetia incessantemente.
Pensando por tal ângulo, deveras, quem era esse ser insignificante para desejar o mal para outros vermes tão insignificantes como ela? Quem lhe garantiria que nunca houvesse feito tanto mal como lhe fizeram? Por que o seu drama seria digno de um teatro mais rico, suas lágrimas valeriam mais vinténs, seu ódio teria mais razão?
Era apenas mais um invisível perdido nas ruelas escuras, que compunham as profundezas do labirinto das emoções.
Apenas lhe resta erguer a cabeça e seguir em frente.
No more drama, little girl.
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