domingo, 5 de junho de 2011

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Enquanto os ponteiros circulam, numa esquina moribunda,
O mais temido encontro, da menina com ela mesma.
Uma análise profunda dos fatos que se sucedem.
O que houve contigo? - zurra uma ao outro ouvido.
Não encontro a vivacidade, não obstante eu vasculhe
Dentre as muitas depressões de tuas negras pupilas.
Tenho meus conscernimentos, quero-te ver sorrindo,
Então conta-me o que houve que te trouxe até aqui.
Nada houve que não houvesse, ou que haverá algum dia.
Olho-me em reflexos que não refletem onde estou,
Reflito-me em olhos que não olham o que sou.
Que mais precisaria para correr sem direção
E encontrar-me aqui, na solidão que me é digna?
Deveras, minha cara, nada precisarias...
Mas o espelho de tua alma colocou-me por aqui
Não seria isto a verdade refletida perante a ti?
Teus próprios olhos não reproduzem o que de fato te tornaras?
Não julgarás as pessoas até que tu mesma te apaixones
Por mim, que é por ti, que é por aquilo que tu és.
Limpa essas gotas cinzentas derramadas
E volte a viver a vida a ti e por ti programada.

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Não repares se a forma é apurada
Ou se a métrica foi talvez torcida
Olhe somente a vida dos meus versos
Que a vida do meu verso - é a minha vida.

Vinicius de Moraes