quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Sobre calouros e vendedores de picolés.

Hoje eu estava voltando de Lajinha-MG com a minha mãe quando compramos picolés com um senhor mais velho que o meu pai, embora mais novo que o meu avô. Cinquenta centavos cada.
Fiquei imaginando que vida difícil é a dele, tendo que caminhar sob sol ou chuva, pra conseguir uns trocos por dia, isso se ele ainda não tiver que dar algum tipo de comissão pra sorveteria.
Engraçado como ninguém se comove com a vida dele, ninguém - ou quase ninguém, pra não ser injusta - se oferece pra ajudá-lo, nem que seja com uma moedinha a mais. Enquanto isso, milhares de calouros de universidades públicas saem às ruas imundos, pedindo moedas que serão convertidas em festas banhadas a muito álcool. Aí sim, as pessoas ajudam.
Falo por experiência própria, pois tanto já esmolei no trote quanto já ajudei universitários com alguns centavos. Mas nunca ajudei um simples vendedor de picolé, que ao contrário de nós, universitários, está ali, trabalhando, pra ganhar o pão de cada dia.
Mas o que me fez sentir pior em toda essa história, foi pensar que em um dos dias em que eu pedia dinheiro no trote, uma mulher tirou uma nota de vinte reais e me entregou. Vinte reais. Quantos picolés aquele senhor teria de vender pra conseguir a mesma quantia? E o que ele faria com esse dinheiro? Por que, em vez de me ajudar, a moça não entregou a nota pra alguém mais necessitado? E porque cargas d'água EU não entreguei essa nota pra alguém que merecesse de fato?
Então eu proponho que abramos os olhos e o coração. Ajude sim os calouros, mas, principalmente, ajude quem realmente precisa disso.
Nós, universitários, podemos sobreviver sem uma choppada. Aquele homem certamente não pode sobreviver sem comida.

Obs.: um salve para a minha mãe, que por dar gorjeta na compra dos picolés, me abriu os olhos pra essa situação.


9 comentários:

Anônimo disse...

nao nao... nao comento nao xD
mas eh verdade... ateh hj eu lembro duma senhorinha cega pedindo esmola no nosso trote... as pessoas davam $$ pragente e nao pra ela :x moh pena

Anônimo disse...

Entao univo-nos vmaos acabar com essas chopadas onde (ninguem me tira da cabeça q alguem mt esperto e fdp lucra com isso) onde pra que fazer uma chopada idiota para pessoas idiotas ficarem bebadas e acharem graça disso tudo depois? Aff as pessoas precisam se conscientizar sobre a realidade fora do mundinho de casa, fora da faculdade (nao precisa ir longe pra encontrar na faculdade isso principalmente na favela da unirio q é a enfermagem ne) após assistir um filme hj eu mudei muito de concepçao, mudei minha maneira de olhar o mundo e o quanto estamos fazendo para o tornar pior para nós e para os outros, portanto muito bom o seu post, vamos viver tudo q há pra viver sempre sendo solidarios!

Anônimo disse...

pois é né, aposto q 90% desses universitarios ao verem alguem pedindo esmola na rua ainda deve pensar: "ah, pq aquele vagabundo nao trabalha??".... será pq estamos num país sem oportunidades? nem todo mundo que pede esmola pede pq quer... e ainda acham justo quase toda a grana do trote ir para jovens (em sua maioria de classe média alta) ficarem se enchendo de bebida, dando a desculpa que merecem comemorar e se divertir pela aprovação!! acho lindo... -not

Carlos Augusto Costa disse...

Agreed with the previous comments

Meio tarde pra chegar à essa reflexão, mas melhor do que nunca.

Rayssa disse...

Acho que cada um deve fazer sua parte, gastar com choppada eh o mesmo que gastar com um sapato caro, ou uma roupa de marca, não precisamos de nada disso mas isso nos faz bem e nos deixa mais feliz, eu ajudo sempre q posso, quem já andou de carro comigo sabe q eu SEMPRE compro as balinhas q colocam no retrovisor, sempre compro "mais caro" as coisas q essas pessoas necessitadas vendem, gosto de ajudar, mas acho q parar de fazer choppadas eh o mesmo q querer q parem de estourar fogos no reveillon pq há coisas mais importantes q precisam desse dinheiro, sempre vai haver, mas qnd vc for médica e ganhar 10 mil por mês vc vai deixar de viajar, dar videogames pro seu filho, comprar bolsas e sapatos, ter uma casa grande e objetos decorativos pra dar o dinheiro a quem precisa do básico ? Ou vai trabalhar de graça ?
Sou totalmente a favor de ajudar, mas eh preciso ser realista choppada eh tão fútil qnd sua internet banda larga, e por causa disso vc vai deixar de assinar e dar o dinheiro da mensalidade pra alguém que precise ?
Não vai. De certa forma essas futilidades também fazem parte da nossa felicidade. É facil falar mal da choppada/abrir mão dela se vc não gosta, ou nao liga muito pra ela, é só refletir um pouco q vc vai achar acho futil e q vc não vai estar disposto a abrir mão. Faz parte da vida.

Carlos Augusto Costa disse...

para mim não é a choppada que é o problema (adoro um bar), e sim a pessoa ficar na rua pedindo "esmola" pra isso, quem quer ter seu lazer que gaste seu próprio dinheiro pra isso, eu não daria dinheiro pra pessoas que eu nem conheço encherem a cara e quem sabe depois saírem dirigindo alcoolizados e matando pessoas.

Anônimo disse...

"Sobre calouros e vendedores de picolés" toca numa situação delicada que muitas vezes passa despercebida no cotidiano. Usando como exemplo um sorveteiro e um trote universitário, chega num assunto de grande polêmica e repercusão. De um lado, uma classe miserável que subsiste à custa de alguns trocados; do outro, grande quantidade de dinheiro sendo gasta para alimentar as futilidades de uma classe antagônica.
Trazendo para o lado prático, eu não julgo esses dois grupos pelo modo de cada uma ver a vida. Só penso que quem tem menos deveria dispor de um leque maior de opções caso quisesse mudar de vida; e que quem tem mais deveria repensar seu conceito de felicidade.

Anônimo disse...

cada um tem a vida que merece.

Carlos Augusto Costa disse...

pés da rayra no banner?

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Não repares se a forma é apurada
Ou se a métrica foi talvez torcida
Olhe somente a vida dos meus versos
Que a vida do meu verso - é a minha vida.

Vinicius de Moraes