sábado, 17 de março de 2012

- não quero (lhe) escrever;


Não quero lhe escrever. 
Encaro estas linhas paralelas, em paralelo ao meu pensamento em linhas tortas e, pensando bem... não quero escrever. Não tenho motivos.
Por mais ocos que estejam os potes temáticos nas prateleiras do hemisfério direito do meu cérebro, sinto-me estranhamente preenchida. Cheia de mim, não de você. Não de ninguém.
Primeira vez na minha vida e eu me sinto FELIZ. Feliz assim, em caixa alta. Alta de auto-estima, acho.
Primeira vez, e eu lhe desejo o bem, sem pés atrás, sem receio, sem a menor dose homeopática do "quero que você se foda" usual. 
Eu quero que você se foda, mas só se isso lhe fizer feliz. Você se sente bem sendo fodido? Sei lá, desculpe-me pela pergunta um pouco íntima demais, mas é que às vezes você parece que gosta. E não se acanhe na confissão, eu não tenho preconceitos quanto a isso.
Não quero lhe escrever, mas perceba, estou escrevendo. Talvez isto lhe soe um tanto paradoxal, o suprassumo da incoerência sentimental. Uma divergência no eixo límbico-frontal. Mas foda-se. Verdade seja dita, eu estou escrevendo muito mais por mim. É que eu tô tão feliz... porra, eu tô tão realizada, obrigada por isso! Do fundo do meu coração, muito obrigada! Eu não conseguiria sem você.
E é bom que você saiba disso, que eu não quero lhe escrever.
Mas que eu escrevo feliz por você. E feliz, por você.

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Não repares se a forma é apurada
Ou se a métrica foi talvez torcida
Olhe somente a vida dos meus versos
Que a vida do meu verso - é a minha vida.

Vinicius de Moraes