domingo, 2 de maio de 2010

- a lágrima guardada;

Sentiu uma intensa necessidade de ser amada.
Receber um abraço, ganhar colo... talvez algumas flores que perfumassem a sua existência.
Mas por mais que procurasse, por mais longe que fosse para encontrar quem fizesse isso por ela, nada viu que a satisfizesse.
Chorou.
Sentada no canto mais negro, da esquina mais inabitada do seu subconsciente, lágrimas foram derramadas.
Cada gota salgada que despencava dos olhos tristes representava um amor que tinha perdido. Um amor que estava agora alegrando a vida de outra pessoa.
Mas, honestamente, de nada importavam as lágrimas que caíam. A única que a importunava era aquela que dos seus olhos não saía. Aquele único amor que, esperançosamente, seria dela. 
Aquele amor que com alguma sorte também por ela esperava. Também dela quisesse um abraço, colo e flores. 
Aquele amor que, na sua própria esquina obscura, guardava a gota cristalina no lugar mais precioso, temeroso de perdê-la.
Um dia - imagina a moça - esse amor me encontrará e se declarará. Até lá só me resta aguardar... e guardar.
Guardar o abraço, o colo e as flores perfumadas, que só dele serão.

Um comentário:

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Não repares se a forma é apurada
Ou se a métrica foi talvez torcida
Olhe somente a vida dos meus versos
Que a vida do meu verso - é a minha vida.

Vinicius de Moraes