domingo, 25 de abril de 2010

- once upon a time;

Amor. É sonhar muito alto encontrar um válido?
Os contos de fadas me ensinaram que, não obstante todas as impetuosidades da vida, um lindo príncipe viria me resgatar da mediocridade do mundo em seu cavalo branco. Eles estavam errados e ninguém me avisou isso a tempo.
Ao longo dos dezenove outonos da minha vida, eu venho desafiando madrastas malvadas, comendo maçãs envenenadas e assistindo ao fim da mágica à meia noite completamente em vão. Em vão sim, porque nenhum dos adultos que me observavam ser auto-didata no quesito amoroso tiveram a decência de me alertar de que, na vida real, por mais forte que fosse o meu desejo, nenhum homem me daria o beijo da redenção.
Seria hipocrisia dizer que eu não imaginei ter encontrado o amor da minha vida algumas vezes. Paixões, sempre tão marcantes e marcadas por decepções. Todos os rapazes, que sob minha visão inebriada eu julgava serem príncipes em belos e alvos puro-sangues, não passavam de aleatórios montados em asnos, especializados em quebrar corações indefesos. 
Entretanto, a criança que mora dentro de mim ainda existe. E, por existir, ela crê.
Crê que no mais tardar da hora, seu Encantado vencerá todos os obstáculos, abrirá espaço entre matas de espinhos armado com uma única espada, subirá com uma agilidade sobre-humana todos os lances de escadas que conduzem até a torre mais alta do castelo e, por fim, dar-lhe-á o beijo de amor. Aquele carinho que lhe fará acordar do pesadelo medíocre, onde contos de fada não passam de historinhas fictícias.
E nesse dia, ela será feliz.


2 comentários:

Calouro HP disse...

Você escreve bem!

Marília disse...

Obrigada por me descrever.
Amei.
Beijos

-

Não repares se a forma é apurada
Ou se a métrica foi talvez torcida
Olhe somente a vida dos meus versos
Que a vida do meu verso - é a minha vida.

Vinicius de Moraes