Sabe quando você está completamente na fossa?
Breu total, olhos vidrados na monotonia da parede, som ligado no maior volume permitido pela lei do silêncio e a desafinação da sua voz sobrepondo o cantor?
Pois é. Eu estava mais ou menos assim quando eu me recordei de um dia em que de fato eu tinha motivos pra estar na fossa.
E nessa hora eu ri. Sozinha, no escuro, a música rolando e eu morrendo de rir.
Óbvio que eu não ri pensando na razão da minha fossa de outrora, mas sim em como eu reagi àquela situação, tão temerosa em aparentar fraqueza aos olhos de terceiros. Engoli aquela faca que descia pela minha garganta, obriguei as minhas lágrimas a voltarem pras malditas glândulas e fiz a cara mais feliz que me era possível no momento. Querendo morrer por dentro e dando altos incentivos morais aos outros por fora.
E quando eu fui, literalmente aos prantos, narrar minhas desgraças aos verdadeiros amigos, àqueles de quem eu não tenho a mínima vergonha de demonstrar minhas fragidades, fui surpreendida por um comentário no mínimo sarcástico. E ri. Muito.
Sei lá, às vezes parece que nós esquecemos dos tombos que já levamos, de como nos levantamos e das lições que aprendemos com a queda.
Sermos sarcásticos perante aos próprios infortúnios é a capacidade mais foda que podemos adquirir depois de uma rasteira memorável. E não são pelas - obviamente fálicas - capacidades curativas desta atitude. Tudo se trata das risadas que ela lhe proporcionará no futuro, distante ou não, tanto faz.
O importante é que algum dia, quando você estiver atolado em um poço de melancolia, sozinha no escuro, completamente emo, você vai ter um motivo pra morrer de rir.
E devo compartilhar: parece que depois disso, nada no mundo será capaz de te entristecer novamente.
Um comentário:
Muito bom e engraçado o seu texto! Parabéns. ;D
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