quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Pé na estrada

Sabe, parece que minha vida deu uma puta guinada nesse ano. Ao menos depois que eu dei um fim em dois terços dos meus cabelos, por assim dizer.
Jamais imaginei que teria coragem de subir numa carreta e sair basicamente sem rumo pra alguma parte do país e, ainda pior, jamais imaginei que o faria e gostaria a esse ponto da experiência.
Por todas as vezes eu eu cogitei tal hipótese, alguma coisa desandava nos meus planos. E se por acaso era eu que o fazia desandar, o arrependimento batia forte. Mas eis que eu agi na impulsividade e, ó, devo confessar que foi muito menos dolorido que cortar o cabelo. Tudo bem, quase desisti dessa viagemm justamente por conta desse cabelo horrível, mas aí eu percebi que mesmo ficando em casa, cavando um buraco e me enterrando... nada disso ia fazer meu cabelo crescer mais rápido. Então eu decidi.
Três dias sem nem dormir pra conseguir chegar na estação de trem a tempo pra comprar, trocar a passagem ou, finalmente, viajar. Sozinha. Pro buraco quente que atende por Governador Valadares. Ter a atenção chamada pelo guardinha da estação por não poder ficar no lugar onde eu estava. Ouvir uma buzina estrondosa e perceber que, ei, é o meu pai na carreta no meio da praça me esperando. Subir aqueles degraus altíssimos e se sentir no topo do mundo - ou ao menos no topo da estrada - e amar aquela sensação. Conhecer novas cidades, novos estados e sair do mundinho que atende por região sudeste. Passar pela mata atlântica paranaense, chegar a Joinville e me revoltar pelo catarinês falado em Barra Velha. Adquirir marcas de turista, tirar fotos de turistas e agir como um verdadeiro turista, capixabeando nas terras catarinenses, paranaenses, paulistas, mineiras, enfim. 
E no fim de tudo, sentada na carreta, no topo do mundo estacionamento, empacotada em quilos de agasalho em Curitiba, eu percebo. 
Eu realmente nasci pra isso.

3 comentários:

Carlos Augusto Costa disse...

Invejinha =/

Anônimo disse...

Nada como nos abrirmos à possibilidade de nos surpreendermos a cada instante. Tem hora que eu tenho vontade de pegar uma estrada qualquer e sair andando nela sem saber aonde vai dar. Se eu não morasse em goiás e soubesse que eu ia parar em uma penca de currutelas cheias de caipiras eu já teria feito isso! heheheheh

O Neto do Herculano disse...

É hora de colocar o pé na estrada, mesmo que seja para o alto.

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Não repares se a forma é apurada
Ou se a métrica foi talvez torcida
Olhe somente a vida dos meus versos
Que a vida do meu verso - é a minha vida.

Vinicius de Moraes