As pessoas insistem que eu devo mudar.
Mudar meu jeito de ser, de levar a vida... que eu tenho que parar de me humilhar perante aos outros, parar de estudar tanto e perder a minha juventude em cima de livros e livros... Se essas críticas viessem algum tempo atrás, minha resposta mal criada estaria na ponta da língua. Responderia que, obviamente, minha vida não é das melhores... me arriscaria a dizer, inclusive, que eu estou no ranking "the worst" ou algo do tipo. Mas se tem uma coisa que a gente aprende com a maturidade precoce é tapar o nariz e engolir, saca? Seria mais ou menos isso.
Mas eis que não é tempo de maturidade precoce mais... é só maturidade. E tudo mudou drasticamente de perspectiva.
Quando eu estava no cursinho, me levantava todo dia às 5h da manhã.. feliz e saltitante, com um único objetivo: estar onde eu estou hoje. Estudava das 7h às 3h do dia seguinte, TODO SANTO DIA. Exatas, letras, humanas, biológicas... não tinha tempo ruim. Tudo na base do "tapar o nariz e engolir"... até tempos pra paixonites eu arrumava. E já era o quarto ano de maturidade forçada... quatro anos evitando minhas vontades por um objetivo maior ou algo do tipo.
Eis que here I am... medicina, federal. Tudo o que eu queria. Tudo o que todos esperavam. Tudo o que pra todos torciam. E pra que que eu já to reclamando de novo? Cheguei num ponto que não dá mais pra tapar o nariz... acho tudo uma merda! Ficar uma semana sem dormir direito, tendo que lidar com seus próprios problemas sem um auxílio amigo, entende? É você por você e, se bobear, ainda tem gente querendo meter o pé no seu caminho e te fazer tropeçar. Faltou um sabonete? Te vira, nem... não tem mamãe nem papai pra ir no mercado pra você. Tá querendo chorar e não consegue estudar? Te vira again, porque não tem ninguém pra te oferecer um lencinho.. ou um ombro.. muito menos pra fazer a prova por você. E a minha concepção de conformismo está se esvainecendo... me privar das coisas que eu quero está me fazendo mal.
Na semana de recepção, alguém muito sábio falou que medicina não é uma profissão que se escolhe somente na hora do vestibular... é uma profissão que se escolhe todo dia, afinal, você se abdica de muitas coisas pra conseguir levar o curso na moral. E se eu estou nesse curso ainda... abdicando da minha vida, basicamente, é porque é realmente o que eu quero. Não me imagino fazendo nada mais no meu futuro.
Mas confesso que se for pra ser sozinha desse jeito, carente desse jeito... não vou aguentar muito mais tempo. E por carência, não entenda falta de romance... daquelas paixonites que eu tinha no cursinho. Entenda alguém pra estar lá comigo me oferecendo um lencinho pra enxugar as minhas lágrimas... pra olhar minha cara abatida e minhas olheiras enegrecidas e me dar um abraço forte e demorado, porque meu inconsciente está pedindo por aquilo. Eu quero alguém que me entenda em um olhar... e saiba exatamente o que dizer pra me fazer sentir melhor. E esse alguém não é uma pessoa qualquer que eu conheço há, sei lá, três meses? Em três meses não se cria conexão suficiente pra que aquela lágrima que tá escondida de um sorriso enorme seja vista nas entrelinhas.
Ainda sou muito apegada a tudo que eu deixei pra trás... e isso dificulta muito a minha vida no Rio... essa é a verdade. Conexões eternas foram largadas bem longe, paixonites distantes, família far far away.
E eu?
Bom.. eu aqui.
2 comentários:
sei lá... você sabe que eu poderia
te ajudar em qualquer coisa que você precisasse aqui, né? mesmo que... você não dê muuuita abertura, rs. enfim... se você precisar de qualqueeer coisa, uma chicára de açúcar ou um ombro amigo, eu to aqui.
Ah, Rah... te digo que nao tem jeito... a gente tem que continuar lutando. Com o tempo surgem os tão necessários "sopros" pras nossas feridas, é só a gente persistir!
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