Hoje teve almoço em família na casa da vó Ivana. Torta capixaba, vinho e o resto das comidas realmente comestíveis. Eu nem queria ir, na verdade. Eu e meu jeito anti-social de ser ficamos muito melhor sozinhos que em companhia dos familiares - ou seja lá de quem for -, mas, sabe comé, papai mandou chamar... e quando você tem um pai recém chegado de cinco anos na
Europa, que trabalha em um regime de semi-servidão como vendedor de uma distribuidora de doces, que só consegue ver a sua filha "única" uma ou duas vezes por semana, não se pode dispensar um convite.
No caminho pra lá, eu fiquei sabendo pelo meu amado priminho, que meu papai tinha levado uma caixa de ovos de páscoa. Juro que os vermes da minha barrigam ficaram em êxtase (mas confesso que eu não entendi bem o porquê de uma caixa, afinal, eu sou filha "única"). Eu, discreta como sou, fiquei bem quieta, esperando que ele viesse com um ovo pro meu lado. Mas não vi nem o cheiro. Em uma certa altura do campeonato, vejo a minha amada vó Ivana com uma sacola de Serenatas de Amor, indo em direção ao quarto. Os vermes da minha barriga quase não se aguentaram.
Papo vai, papo vem, descubro que o meu pai que trouxe a caixa de ovos e a sacola de bombons. Mas eu não vi nem a cara dos doces. E, provavelmente, chegando domingo, eu vou continuar sem ver, porque:
#1: Talvez eu não esteja aqui, e sim em Vix, na páscoa.
#2: Deviso à capacidade reprodutiva digna de coelhos da minha família, tem um número muito grande de crianças que merecem mais um ovo de páscoa do que uma marmanja de 18 anos.
#3: Ninguém se importa comigo, e muito menos com os vermes da minha barriga.
Resumindo, voltei pra casa sem ovo e sem bombom.
Os meus vermes que se conformem.

Por Rayra Alcure.
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